Atomium: o gigante de ferro de Bruxelas

Atomium: o gigante de ferro de Bruxelas

Seja você o nerd da classe ou completamente leigo em ciência, conhecer o Atomium é uma oportunidade de presenciar o que acontece quando arte e a engenharia se encontram. Assim como a Torre Eiffel em Paris, o Atomium também foi construído para ser o ponto focal de uma exposição universal, ocorrida no ano de 1958 em Bruxelas, mas acabou se transformando no maior símbolo da cidade.

E do mesmo jeito que a parente mais famosa, deveria ficar de pé apenas durante os seis meses da exposição e ser completamente desmontado após o evento. Mas diferente dos franceses que detestavam a Torre Eiffel no começo (alguns até hoje), o Atomium caiu nas graças do povo e dos visitantes de Bruxelas, e o governo Belga resolveu apostar no potencial turístico da obra.

Hoje em dia, o gigante de ferro chega a rivalizar com o Manneken Pis o título de ponto turístico mais visitado da capital européia da cerveja e do chocolate.

A Ciência Como Inspiração

A tarefa de dar uma identidade para a primeira exposição universal após a segunda guerra mundial caiu no colo do engenheiro André Waterkeyn e dos arquitetos André e Jean Polak, que com uma simples ideia, a de aumentar em 165 bilhões de vezes o modelo de uma célula unitária cúbica (de corpo centrado) de um cristal de ferro elementar, deram origem ao Atomium, um feito singular da arquitetura até os dias de hoje. Cada esfera representa um dos átomos de ferro e os tubos fazem o papel das ligações entre esses átomos.

“Beleza, mas o quê um cristal de ferro gigantesco tem a ver com tudo isso?”

A exposição universal de 1958 foi a primeira após o final da segunda guerra mundial, que assim como toda guerra tem na tecnologia armamentista uma enorme demonstração do lado negro da ciência. Era preciso recuperar a esperança da humanidade em tempos melhores e que muitos benefícios poderiam ser obtidos através do avanço científico, sobretudo os de origem nuclear. E foi com essa visão que a Expo 58 foi realizada, sendo um grande sucesso na época.

+MAIS: O clima de preparação para a Expo 58 neste exemplar da revista UNESCO Magazine da época (em Inglês).

Muitos anos se passaram e a superfície de alumínio do Atomium sofreu com os efeitos do tempo, e em 2004 foi toda substituída por aço inoxidável, devolvendo um brilho espetacular para a estrutura, que também ganhou iluminação nova, com várias lâmpadas LED simbolizando o movimento dos elétrons ao redor dos átomos.

+MAIS: Confira neste artigo uma abordagem mais técnica do processo de restauração do Atomium (em Inglês).

Um passeio pelas esferas

O lado nerd da força que habita em mim, saúda o lado nerd da força que habita em você. Como profissional do ramo, a química faz parte da minha vida (na verdade, faz parte da vida de todo mundo, mas vamos pular essa parte) e sequer passou pela minha cabeça perder a chance de dar um rolê por dentro desse emaranhado de átomos e ligações, no melhor estilo “vida de partícula subatômica”. :mrgreen:

O tour começa subindo o eixo principal até a esfera mais alta do Atomium, em um elevador que na época da Exposição Universal de 1958 era o mais rápido de toda a Europa. A guia convida a todos a dar uma olhadinha pra cima e dar uma espiada pelo teto transparente para ter noção da altura e da rapidez com que se chega ao topo.

Através de janelas panorâmicas, Bruxelas vai sendo revelada em uma vista aérea em 360° inigualável, e em dias de céu limpo é possível enxergar desde os arredores do Heysel Park, o Centro de Bruxelas e até um pouquinho da Antuérpia. É divertido também observar o céu da cidade, onde a expressão “tráfego aéreo intenso” ganha proporções fora do normal.

Me arrisco a dizer que se terminasse lá, o ingresso já estaria muito bem pago. Mas o passeio segue retornando à esfera da base, que dá acesso à outras três esferas através de umas escadas no melhor estilo de filmes de ficção científica. Nestas outras esferas, uma exposição permanente sobre a Expo 58 e o Atomium fazem viajar no tempo, enquanto exposições com temas variados completam o passeio.

Restaurante nas alturas

Uma oportunidade muito especial para conhecer melhor a culinária belga, apreciando a vista que se tem no mirante principal do Atomium é o restaurante que fica no mezanino da esfera mais alta.

Não é tão barato como alguns restaurantes típicos dos arredores da Grand Place, como vocês podem observar nos preços que estão no cardápio da casa, mas se você puder se dar esse presente, nem pense duas vezes. Nada impede porém, de ir lá e só tomar um café à 100 metros de altura. 🙂

Para jantar no Atomium Restaurant, é necessário fazer reserva.

O Atomium em números

A estrutura do Atomium é formada por 9 esferas (uma esfera em cada um dos 8 vértices e uma no centro), e 20 tubos conectando os “átomos”, sendo todo o conjunto sustentado por 3 grandes pilares. O que impressiona mesmo é ver isso tudo de perto, mas os números desse gigante não deixam a desejar:

  • altura: 102m
  • diâmetro das esferas: 18m
  • diâmetro dos tubos: 3,3m
  • comprimento dos tubos nas arestas do cubo: 29m
  • comprimento dos tubos nas diagonais: 23m
  • diâmetro da esfera no pavilhão base: 26m
  • massa total (atual): 2.500 toneladas

Serviço

Tudo que você precisa saber para visitar o Atomium:

COMO CHEGAR | Tomando a Grand Place como referência de saída, pegue o Tram (bonde elétrico) em uma das estações Bourse ou De Brouckère na direção Esplanade (Linha 3). Quando chegar na estação De Wand, é necessário descer e esperar na mesma plataforma o tram que irá na direção Heysel (Linha 7). A caminhada com a melhor vista para o Atomium você tem ao descer na estação Seguinte, Centenaire. Já quem quiser andar menos, é só descer em Haysel que fica quase embaixo do monumento.

Saindo de qualquer outro lugar em Bruxelas, mire em conexões com a Linha 7 do tram e, uma vez nela, desça também na estação Centenaire ou em Heysel.

INGRESSOS | Os ingressos para o Atomium custam 12 euros (crianças, idosos e estudantes pagam valores menores entre 6 e 9 euros) e podem ser comprados direto na bilheteria ou online aqui (em Português). Apresentando o Brussels Card na bilheteria, tem desconto de 33% em cima desse valor. Comprar antecipadamente ajuda a evitar as filas enormes que se formam especialmente na época do verão europeu. No inverno, é tranquilo comprar na hora.

O Brussels Card é um cartão que dá acesso ilimitado e sem filas à coleção permanente de 30 museus de Bruxelas, além de descontos em outras atrações (como o Atomium), excursões, lojas, bares, restaurantes e casas noturnas de Bruxelas. Você pode conferir a lista de benefícios e comprá-lo aqui.

HORÁRIO E DURAÇÃO| O Atomium fica aberto todos os dias do ano das 10 às 18h (a bilheteria encerra às 17:30h). O horário sofre alterações nos dias 24 e 31 de Dezembro, quando vai das 10 às 16h (bilheteria encerra às 15:15h) e nos dias 25 de Dezembro e 1 de Janeiro, com funcionamento de 12 às 18h (bilheteria encerra às 17:30h).

O passeio leva de 1 a 2 horas, dependendo do ritmo de cada um.

 

Engenheiro Bioquímico por formação, Carioca por vocação, 30 anos.
11 em cada 10 sonhos seus envolvem nomadismo e lugares pouco convencionais ao redor do mundo. Uma hora ele acaba realizando.