Diário de Bordo - Torres del Paine - Na companhia do Lago Nordenskjold

Diário de Bordo – Torres del Paine – Na companhia do Lago Nordenskjold

O primeiro dia em Torres del Paine foi fantástico ao extremo e pode ser que você se pergunte se pode ainda haver algo que te encha tanto os olhos quanto ter estado aos pés das torres de granito que dão nome ao parque. Mas é bom você ir se preparando pois, apesar de a travessia nesse sentido já ter começado pela cereja do bolo da sobremesa, Torres del Paine ainda vai te mostrar que o cardápio lá é vasto e tudo tem de sobra. Você ainda vai perder as contas de quantas vezes a frase “Que lugar é esse?” sairá da sua boca da forma mais espontânea possível.

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Beira do Rio Ascencio, em frente ao Refúgio El Chileno.

Para este dia, o planejamento inclui acordar um pouco mais cedo, pois a travessia até o Refúgio Los Cuernos é bem longa, num caminho com muito sobe e desce e que vai demandar muito esforço físico, por conta de ter que levar a mochila nas costas por cada metro do trajeto. Então, saia no máximo às 8 da manhã, para que você tenha mais folgas no horário para poder descansar. A água é muito abundante durante todo o percurso, e uma garrafinha pequena é o bastante para você se hidratar pelo caminho, sem adicionar muito mais peso na mochila.

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Hora de botar o pé na trilha!

O dia é composto, basicamente, de dois trechos: um pequeno que vai do Refúgio El Chileno até a bifurcação marcada pelo início do atalho para Los Cuernos, e outro enorme que vai do atalho até o Refúgio Los Cuernos, margeando o Lago Nordenskjold por boa parte do tempo.

Nesse primeiro trecho até a bifurcação, você verá que aquela descida longa que aliviou a sua barra no primeiro dia, agora virou uma subida de intermináveis 2 a 3 horas. Se restava alguma coisa de sono, ela te faz acordar e ficar ligado no 220 V, logo de manhã.

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Vale do Rio Ascencio – Parque Nacional Torres del Paine

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Vale do Rio Ascencio – Parque Nacional Torres del Paine

E com essas subidas mais longas, o jeito é implementar uma programação de paradas de descanso pra manter a disposição. Durante todo o dia, eu programei paradas de 10 minutos a cada hora caminhada e tudo funcionou bem. Fora o fato de que o vale do Rio Ascêncio, agora à sua esquerda, pede muitas fotos, daí você acaba fazendo umas paradas menores e dá uma relaxada entre uma foto e outra.

A encosta por onde passa esse trecho fica bem próxima da trilha e, além de ter menor cobertura vegetal, ainda é uma das partes que contam com mais pedras soltas e cascalhos, que podem rolar por conta do efeito da erosão eólica, então é necessário tomar cuidado.

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A placa escrito “Atajo a Cuernos” (Atalho pra Cuernos), marca om início do segundo trecho, que começa com uma descida bem extensa de umas quase 2 horas, de onde aos poucos começa a se revelar o Lago Nordenskjold à sua esquerda, e o pouco falado, mas muito bonito Monte Almirante Nieto à direta. E com esse visual, que resolvi fazer a pausa para o almoço de trilha.

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Placa que marca o início do atalho para Los Cuernos.

Monte Almirante Nieto - Parque Nacional Torres del Paine

Monte Almirante Nieto – Parque Nacional Torres del Paine.

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Visão do atalho para a cabeceira do Lago Nordenskjold – Parque Nacional Torres del Paine.

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Pausa para uma presepada! =D

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Terminada a descida, há um pequeno lago que rende ótimas fotografias, e é a última parada antes de longas horas de caminhada em um sobe e desce que parece interminável, antes de chegar ao refúgio. Sempre acompanhado, é claro, do lago de nome estranho e da vista de águas de um tom de azul fascinante. Essa coloração do Lago Nordenskjold, um azul turquesa com um aspecto leitoso à distância, é conferida pela alta carga de minerais levados pelo vento somados à baixíssima temperatura da água.

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Lago Nordenskjold – Parque Nacional Torres del Paine.

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Lago Nordenskjold – Parque Nacional Torres del Paine.

Vez ou outra, o poderoso vento patagônico aparece e provoca um lindíssimo espetáculo levantando uma cortina de água ao atravessar o vão do lago.

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Cortina de água levantada pela força do vento patagônico.

De todos os trechos em Torres del Paine, esse entre o fim do atalho e o refúgio Los Cuernos foi o mais castigante, por conta da quantidade de horas num sobe e desce que parecia não ter fim, com uma mochila ainda carregada de comida para o restante do dia, e todos os que ainda estavam por vir.

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Por conta das paradas pra descanso e do joelho que ainda estava em fase de recuperação, eu sempre acabava levando algumas horas a mais do que os tempos apontados nos mapas para cumprir os trechos. Acabei chegando no refúgio quando a noite já começava a dar sinais de que estava chegando (Na Patagônia, isso significa que já eram quase 21:00 hs). E foi extremamente importante não forçar muito neste dia, já que no dia seguinte não há muita escolha senão dar tudo de mim pra conseguir visitar todos os pontos do trajeto.

De qualquer forma, é muito difícil cumprir os trechos nos tempos propostos nos mapas da CONAF. Quase todo mundo reclamava de que os tempos estavam superestimados.

Conforme a luz do dia vai caindo e você se aproxima da parte mais gelada do parque, a paisagem à beira do lago vai ganhando um tom ao mesmo tempo mais bonito e dramático. Coisa de cinema mesmo.

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Lago Nordenskjold – Parque Nacional Torres del Paine.

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Sombras do fim de tarde – Lago Nordenskjold – Parque Nacional Torres del Paine.

O que eu mais gostei nesse dia foi que, por ser um dia bem penoso, por conta de ter que fazer todo o sobe e desce pelas montanhas com a cargueira nas costas o tempo inteiro, ao chegar no Refúgio Los Cuernos (objetivo do dia) você se dá conta de que aguenta o tranco e é possível completar as etapas que ainda estão por vir. Não que o que vem pela frente seja fácil, mas você começa a realizar que é perfeitamente possível e mesmo cansado, você atnge picos de ânimo e motivação. Fora que pra quem chegou ali, a única opção é terminar. =D

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Fim de Tarde – Lago Nordenskjold – Parque Nacional Torres del Paine.

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Los Cuernos del Paine – Parque Nacional Torres del Paine

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Chegada ao Refúgio Los Cuernos

Na nossa sessão Diário de Bordo, contamos todo o nosso roteiro ao mesmo tempo que trazemos o relato da nossa aventura percorrendo o Circuito W em Torres del Paine, realizado em Fevereiro de 2015, utilizando os serviços da Fantástico Sur. Além deste, temos mais quatro capítulos:

Dia 1 – Punta Arenas x Puerto Natales x Torres del Paine (Em Atualização);

Dia 2 – Rumo ao Mirador de Las Torres del Paine

Dia 3 – Na Companhia do Lago Nordenskjold

Dia 4 – Glaciar Francés e Mirador Británico

Dia 5 – Mirador Grey e retorno para Puerto Natales

E para te ajudar a planejar a sua ida ao parque, no nosso Guia Torres del Paine você encontrará as informações necessárias de forma prática e objetiva.

Engenheiro Bioquímico por formação, Carioca por vocação, 30 anos.
11 em cada 10 sonhos seus envolvem nomadismo e lugares pouco convencionais ao redor do mundo. Uma hora ele acaba realizando.