Documentos para viajar para a Europa: o guia para mandar bem na imigração

Documentos para viajar para a Europa: o guia para mandar bem na imigração

Hora de falar de documentos, de imigração, se precisa ou não de visto pra viajar para a Europa. Aquele tópico delicado do nosso planejamento, justamente por ser o tópico que, se mal executado, pode jogar todo o planejamento da viagem no lixo.

Boa parte da possibilidade de algo dar errado, de você ser barrado e deportado por algum oficial de imigração, pra sua sorte, depende mesmo é de você não se esquecer de levar alguns documentos e se preparar para responder algumas perguntas ao desembarcar. Se ao que tudo indicar, você não for um imigrante ilegal em potencial, você entra tranquilamente e curte as suas tão sonhadas férias na Europa. SEM-PRES-SÃO :mrgreen:

Museu do Louvre – Paris (Foto: Arquivo Pessoal)

AVISO IMPORTANTE: esse é um guia com dicas para viajantes que vão para a Europa por motivos de turismo. Outros casos como: intercâmbio, trabalho, morar no exterior ou qualquer outro assunto que não seja só turismo, recomendo pesquisar sites sobre esses assuntos, relacionados ao país do seu interesse

Seguindo o artigo, aqui você verá:

  • Tratado de Schengen: Como funciona a livre fronteira entre os países participantes do acordo para cidadãos sem passaporte europeu;
  • E no caso das escalas. Como é que fica? E a bagagem?
  • Lista com todos os documentos necessários para viajar pela Europa;
  • Como é a passagem pela imigração europeia? Pedem isso tudo?
  • Exigências adicionais que alguns países fazem;
  • Perguntas mais comuns feitas pelos oficiais de imigração de países europeus.

União Européia e Espaço Schengen

“Espaço o quê?” … A partir de 1985, passou a vigorar o Tratado de Schengen, que permite a livre circulação de cidadãos europeus e estrangeiros com permissão de entrada entre os 26 países signatários (ver mapa abaixo), sem a necessidade de refazer os procedimentos de imigração toda vez que cruzar a fronteira de um para o outro.

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Com isso em mente, se a sua viagem pra Europa só tiver países do Espaço Schengen no roteiro, você só passa pela imigração na entrada, transita entre os países participantes do acordo apenas se identificando, e reapresenta seu passaporte no posto de imigração do país de saída.

Na Prática (Parte I) – Na minha última viagem para a Europa, passei pela imigração ao chegar pela Espanha, e de lá fui pra Bélgica, Holanda e fechei a viagem na França. E como todos os meus destinos fazem parte do Tratado de Schengen, eu não precisei refazer os procedimentos de imigração ao cruzar as fronteiras. Ao sair da Europa em direção ao Brasil, passei novamente pelo posto de imigração para receber o carimbo de saída no meu passaporte.

Note que Tratado Schengen e União Européia não são a mesma coisa. Per exemplo, Irlanda e Reino Unido fazem parte (ainda que por pouco tempo mais) da União Européia, mas não fazem parte do tratado. Suíça, Islândia e Noruega não fazem parte da UE, mas aboliram as fronteiras através do tratado.

Saindo da área coberta pelo tratado para qualquer outro país, você terá que passar pela imigração e apresentar os documentos pedidos pelo governo local.

Na prática (Parte II): Saio da França (Schengen) de trem para a Inglaterra (Não Schengen). Da Inglaterra, vou de avião para a Holanda (Volto para o Espaço Schengen). Nesse caso eu passo pela imigração inglesa, e ao retornar ao Espaço Schengen, passo novamente pela imigração.

Há outros países que não fazem parte nem da União Européia e muito menos do Tratado de Schengen. Neste caso, você deve pesquisar os procedimentos de entrada em cada caso no site do Itamaraty.

E no caso das escalas. Como é que fica? E a bagagem?

Se o seu vôo do Brasil para a Europa não for realizado com a companhia aérea do país de destino, é certo que haverá uma escala (ex: se a sua passagem para Madri foi comprada na Air France, você vai passar primeiro por Paris e depois seguir para Madri).

Daí as possíveis situações são:

  • Destino Schengen com escala Schengen: você faz a imigração no país da escala e segue para o terminal de vôos domésticos para aguardar o vôo seguinte (entre os países do tratado, todos os vôos são considerados domésticos);
  • Destino Schengen com escala Não-Schengen: você não sai da área de trânsito internacional do aeroporto e vai direto para o embarque do vôo que vai para o seu destino, que é onde ocorrerá o procedimento de imigração;
  • Destino Não-Schengen com escala Schengen: mesma situação anterior;
  • Destino Não-Schengen com escala Não-Schengen: passa pela imigração nos dois países. Caso clássico: Viagem para Irlanda com escala na Inglaterra.

A sua bagagem vai sempre do Brasil até o seu destino.

Documentos para viajar para a Europa

PASSAPORTE – Brasileiros não precisam de visto antecipado para entrar nos países da Europa que fazem parte do Tratado de Schengen. É necessário apenas um passaporte com validade superior a 90 dias, contados a partir da data da sua volta, para o oficial de imigração carimbar o seu visto e liberar a sua entrada.

O mesmo vale para a Inglaterra e para a Irlanda. Para outros países, novamente vale consultar o site do Itamaraty.

Na prática (Parte III) – Estou indo para a Europa no dia 20 de Novembro e retorno no dia 8 de Dezembro de 2016 (#truestory 🙂 ). Isso significa que tenho que ter um passaporte válido até o dia 8 de Março de 2017 para que a minha entrada na Europa seja permitida.

PASSAGEM DE VOLTA – A permanência máxima de estrangeiros nos países da Europa dentro dos limites do Tratado Schengen é de 90 dias, corridos ou não, a cada 180 dias. E pode ser que o oficial de imigração solicite que você apresente o e-ticket (voucher eletrônico da passagem, que você recebe por e-mail ao realizar a compra) que comprove que você tem data marcada para voltar ao Brasil ou seguir viagem para outro país fora da zona demarcada pelo tratado, dentro deste prazo.

A permanência máxima no Reino Unido como turista é de 180 dias. Já na Irlanda, somente 90 dias.

A regra é clara: se chegou com visto de turismo na Europa, você só está lá pra gastar o seu rico dinheirinho (de preferência, o máximo que puder), e voltar para casa feliz depois das férias, não para ganhar um trocado lá sem prévia autorização. Onerar cofres públicos e ganhar dinheiro como imigrante ilegal pode te causar sérios problemas. Não faça a caveira do seu passaporte e nem do seu país. 🙂

SEGURO VIAGEM – Item absolutamente obrigatório do seu planejamento. E, obviamente, não só por ser uma exigência migratória, mas sim por que acidentes acontecem em qualquer lugar do mundo, ficar doente também não tem relação geográfica direta só com a sua cidade, malas extraviam, vôos são cancelados e por aí vai. Consultas e internações fora do Brasil podem custar alguns milhares de euros.

No caso mais específico da cobertura relacionada à saúde para quem viaja para a Europa, é necessário que o seguro tenha cobertura de, no mínimo, €30.000 para os países do Espaço Schengen. Na Irlanda e no Reino Unido não é obrigatório o seguro viagem, mas como eu já expliquei antes, a conta pode ser pesada se você não tiver cobertura.

Grand Place – Bruxelas (Foto: Arquivo Pessoal)

Qual seguro contratar? Normalmente as seguradoras Brasileiras já oferecem coberturas padrão para os países europeus. Eu, pessoalmente, costumo utilizar os seguros da Mondial Assistance e recomendo bastante.

Antes de contratar um seguro viagem, verifique com a operadora do seu cartão de crédito se eles já não te oferecem a cobertura que você precisa para viagens. Dificilmente a anuidade de cartões Visa Platinum/Infinite, e Mastercard Platinum/Black já não te dá o direito ao utilizar o cartão na compra da passagem.

COMPROVANTES DE HOSPEDAGEM – Ter que comprovar que você não irá dormir ao relento é algo bem comum também. Fica tudo certo se você imprimir e levar a confirmação da reserva do Booking.com, Airbnb, do próprio hotel, ou seja lá qual o site que você tenha utilizado pra reservar a sua hospedagem. Leve os comprovantes de hospedagem em cada cidade que você irá visitar.

Se você vai ficar na casa de algum amigo ou parente que tenha residência fixa na Europa, é importante que ele te envie uma carta convite, para que você apresente para os oficiais.

+ Tudo que você precisa saber sobre a carta convite, explicado pela galera do 360 meridianos

COMPROVANTES FINANCEIROS – Como eu disse anteriormente, nem para virar concorrente dos pedintes nas ruas da Europa e ganhar esmola em euro, cidadãos estrangeiros tem autorização apenas com visto de turismo. Então, também é super normal que o oficial de imigração peça para que você comprove que tem condições de se manter durante a sua viagem pelos países europeus.

O ideal é apresentar extratos (originais e atuais) bancários, do cartão de crédito, do travel money, ou até mesmo dinheiro em espécie, que mostre que você pode bancar aproximadamente €65 por dia de viagem.

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Exigências mais específicas de alguns países

COMPROVANTE DE VÍNCULO – Além da lista padrão de documentos, alguns países pedem com bastante frequência comprovantes de algum vínculo que demonstre que você tem que retornar ao Brasil (caso mais específico do Reino Unido, Irlanda e Portugal). A forma mais fácil de comprovar isso é levar algum documento que comprove que você tem um emprego (holerite, carta do empregador, etc…), que está matriculado em alguma escola, universidade, ou que comprove que você tem alguma empresa ou propriedade em seu nome.

TRADUÇÃO DE DOCUMENTOS –  Ajuda muito no processo levar a tradução juramentada de alguns documentos no idioma do país onde você passará pelo controle de fronteira, ou em inglês. Muito mais no caso de quem vai para o Reino Unido e da Irlanda, onde é mais comum implicarem com o fato de alguns documentos estarem em português.

COTA MÍNIMA DE ENTRADA – Além de comprovar que pode prover os €65 (a mesma quantidade em Libras no caso do Reino Unido) por dia de viagem, alguns países podem pedir para que você tenha uma certa quantia mínima disponível. É o caso da Itália e da Espanha.

Espanha: mínimo de €580,77.

Itália: De 1 a 5 dias, €270. Acima de 20 dias: €207 (cota fixa), sendo €28 a cota diária.

E pedem isso tudo mesmo?

A resposta mais honesta é: pode ser que te peçam tudo sim. Mas pode ser também que mal te peçam o passaporte e te façam algumas perguntas. E quanto mais preparado você estiver para responder e apresentar seus comprovantes de forma direta e organizada, melhor.

11 de cada 10 sites/blogs te darão esta dica, à um só tempo simples e preciosa: conferir e organizar todos os documentos numa pasta ou envelope, e levar na sua BAGAGEM DE MÃO (em negrito e caixa alta, pra ninguém esquecer) para facilitar o acesso aos documentos quando entrar na fila da imigração.

Nem todo oficial de imigração é paciente e educado, e levar tudo bem organizado e se preparar para responder algumas perguntas em inglês (preferencialmente, em idioma local) irão te poupar de uma carga extra de nervosismo, caso algum deles esteja pouco amistoso no dia.

Perguntas mais comuns

Com base na minha experiência (justamente na temida imigração Espanhola) e na de amigos que viajaram para Europa em épocas diferentes, deu pra montar este bom repertório com exemplos reais de perguntas que os oficiais da imigração fazem com mais frequência. Mas antes de pensar nas respostas, tenha duas coisas em mente: não há absolutamente nenhum interesse em barrar ninguém na imigração. Não é essa a função dos oficiais e a Europa ganha muito dinheiro com turismo para se dar ao luxo de deportar as pessoas.

A segunda e mais importante coisa a citar é: NÃO MINTA EM HIPÓTESE ALGUMA (em negrito e caixa alta, pra ninguém dizer que não leu). Os oficiais são especialistas em detectar mentiras, e às vezes repetem perguntas durante a entrevista para ver se as pessoas caem em contradição. Se você não tem nada a esconder, fale apenas a verdade  e de modo direto. Uma vez que eles desconfiarem de você, abre-se a possibilidade de negar a sua entrada.

Vamos às perguntas mais frequentes:

  • Você vai visitar somente este país ou vai para outros?
  • Quantos dias vai ficar na Europa? (uma boa resposta é dizer quantos dias no total, e especificar a quantidade de dias na cidade aonde está fazendo a imigração);
  • Conhece alguém que mora na Europa?
  • Você vai ficar aonde? (responda o nome do hostel/hotel/etc aonde você ficará na cidade aonde está fazendo a imigração e apresente os comprovantes se exigidos);
  • Você vai visitar quais atrações?
  • O que é a atração X?
  • Qual a sua profissão?
  • O que faz um (sua profissão)?
  • Está viajando de férias ou à trabalho?
  • Quanto você tem em dinheiro? (pergunta possivelmente associada à comprovação de recursos);
  • Está viajando sozinho ou acompanhado?
  • Você tem um seguro viagem/saúde?

Camp Nou – Barcelona (Foto: Arquivo Pessoal)

No meu caso mais específico, mesmo estando diante da temida imigração espanhola, mais temida ainda  por ser no Aeroporto de Madri, só precisei mostrar o passaporte e responder quatro perguntas pra escutar um “buenas vacaciones” do oficial. Mas como seguro morreu de velho, a pasta com os documentos estava lá com tudo o que fosse necessário pra provar que eu não ia fazer bagunça na casa de ninguém 🙂

Há casos em que o oficial de países que não falam a língua inglesa se recusam a conduzir a entrevista em Inglês. Não há problema algum em pedir ajuda de alguém da fila para auxiliar a comunicação. Uma opção também é levar as respostas para essas perguntas mais comuns traduzidas em forma de texto corrido escrito previamente em um papel e entregá-lo ao oficial.

Engenheiro Bioquímico por formação, Carioca por vocação, 30 anos. 11 em cada 10 sonhos seus envolvem nomadismo e lugares pouco convencionais ao redor do mundo. Uma hora ele acaba realizando.