Guia Torres del Paine

Guia Torres del Paine

Principal atração da Patagônia Chilena, o Parque Nacional Torres del Paine reúne anualmente milhares de aventureiros e amantes da natureza ávidos por desbravar cada um dos seus cenários fantásticos. Os circuitos do parque estão com toda a certeza nos planos (e porque não dizer nos sonhos) de “12 em cada 10” trilheiros apaixonados, dos menos experientes até aqueles bem Chuck Norris do mato.

Quem tem a oportunidade de percorrer várias cidades pela Patagônia, quando chega à Torres del Paine tem a sensação de que o parque é um resumão de tudo que a região tem pra oferecer. Lagos imensos de água azul turquesa, montanhas de mármore esculpidas pelo poderoso vento patagônico, geleiras, bosques e estepes à perder de vista, que somados com a vida selvagem, formam o conjunto perfeito para passar aqueles dias totalmente desligado do mundo.

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Seja você um aventureiro nato ou um apreciador mais sossegado, Torres del Paine é daqueles lugares pra “zerar a vida”. Mas a visita requer um bom planejamento, já que você está indo para um dos lugares mais remotos do planeta, onde, obviamente, nem tudo está prontamente disponível (e talvez seja exatamente essa a idéia, meus caros).

E nada melhor do que poder contar com a experiência de quem já esteve lá, pra te ajudar a evitar as tretas e os perrengues, correto? Pensando nisso, montei esse guia “mastigadinho”, com todo o meu planejamento prévio, a parte “na prática” (que jamais pode faltar) e os links que me ajudaram a ter a maior aventura da minha vida até então.

No final, eu lanço duas dicas extra voltadas para aventureiros iniciantes, que vão ajudar muito a ter sucesso nessa aventura em Torres del Paine.

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QUANDO IR – A alta temporada ocorre entre Setembro e Abril, sendo os meses de Dezembro e Janeiro o período de pico. O inverno em Torres del Paine é de uma beleza inigualável, mas inviabiliza a realização de diversos programas e muitos refúgios fecham nessa época. Para acertar na escolha da melhor época para visitar o parque, preparamos um post especial explicando o que esperar de cada estação em Torres del Paine.

COMO CHEGAR – A cidade mais próxima do parque é Puerto Natales, que até tem uma pista de pouso, mas não recebe vôos de grandes companhias aéreas. No lado chileno, o aeroporto mais próximo é o de Punta Arenas, distante 250 km de Puerto Natales. Também existe a possibilidade de voar até Puerto Montt e cruzar os fiordes da patagônia chilena em uma viagem de barco de 3 dias até Puerto Natales.

Ruta de Fín del Mundo -Cerro Castillo - Puerto Natales - Foto: Celestyn Brozek (Flickr) - CC BY 2.0

Ruta de Fín del Mundo -Cerro Castillo – Puerto Natales – Foto: Celestyn Brozek (Flickr) – CC BY 2.0

Quem vem do lado argentino da Patagônia pode voar até El Calafate ou Río Gallegos, onde também há ônibus para Puerto Natales. E da rodoviária de Puerto Natales há saídas diárias para Torres del Paine.

Em relação aos ônibus, tome sempre o cuidado de comprar as passagens antecipadamente. Primeiro pelo fato de os ônibus não saírem todos os dias para todos os lugares nem na alta temporada. Segundo, porque você corre um risco sério de não conseguir comprar passagem pra hora, pro dia e até pra semana que você quiser se deslocar pra outra cidade na alta temporada. Então mesmo que a empresa não realize vendas online, tente dar um jeito de reservar por e-mail, sinal de fumaça e afins.

Eu quase tive que cancelar a ida pra El Calafate, pois só havia ônibus de Puerto Natales pra lá 7 dias pra frente. Por sorte, uma empresa viu o desespero da galera na rodoviária e mandou um ônibus extra e eu consegui resolver essa. Mas não recomendo esse tipo de emoção pra ninguém.

Aqui eu te dou mais detalhes sobre as rotas que são possíveis e o transporte de uma cidade para outra.

TREKKINGS – Torres del Paine é a Disney do trekking na América do Sul e o parque reserva opções tanto para os trilheiros mais experientes, como para os iniciantes e entusiastas. Quem vai em busca de uma aventura mais desafiadora pode se preparar para o famoso Circuito W (com duração mínima entre 4 e 5 dias e tem ao longo dos seus 72 Km as atrações mais conhecidas do parque, como as torres de granito que dão nome ao parque, o Vale del Francés, Lago Nordenskjold e o Glaciar Grey) e o Circuito O, que dura entre 8 e 10 dias e dá a volta em todo o parque com seus 120 Km de trilhas.

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Na nossa sessão Diário de Bordo, contamos o nosso roteiro ao mesmo tempo que trazemos o relato da nossa aventura realizando o Circuito W em Torres del Paine, em Fevereiro de 2015, utilizando os serviços da Fantástico Sur, em cinco capítulos:

Dia 1 – Punta Arenas x Puerto Natales x Torres del Paine (Em Atualização);

Dia 2 – Rumo ao Mirador de Las Torres del Paine

Dia 3 – Na Companhia do Lago Nordenskjold

Dia 4 – Glaciar Francés e Mirador Británico

Dia 5 – Mirador Grey e retorno para Puerto Natales

Para quem busca trilhas de curta duração, é possível fazer um bate-volta a pé ao Mirante das Torres e ao Glaciar Grey. O início do caminho até as Torres é a Guardería Laguna Amarga, já para a trilha até o Glaciar Grey, é necessário pegar um catamarã na Guardería Pudeto e cruzar o Lago Pehoe até o início da trilha, em frente ao refúgio Paine Grande.

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Estas duas últimas trilhas duram um dia inteiro e para fazer tudo com mais calma, o ideal é que você esteja hospedado dentro do parque ou chegue um dia antes para começar a caminhar bem cedo, já que o horário dos ônibus vindo de Puerto Natales não ajudam muito quem tem pressa.

Além dos circuitos, há várias trilhas pequenas para caminhadas leves até mirantes e pontos de observação da fauna e da flora local. Você pode conferir todas as trilhas, desde as menores até o trajeto dos circuitos ampliando o mapa abaixo, que é o oficial, fornecido pela organização do parque.

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HOSPEDAGEM – Para quem irá realizar os circuitos W e O dentro do Parque Nacional Torres del Paine, reservando sua vaga nos refúgios da Fantástico Sur e da Vertice Patagonia você terá um lugar quente e uma cama confortável te esperando ao final de cada dia de caminhada. Também é possível contratar pacotes com alimentação incluída.

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Ao longo do circuito também há áreas próprias para camping. Os que possuem boa estrutura, com cozinha, banheiros limpos e com água quente, são pagos e você pode reservá-los também com a Fantastico Sur e a Vertice Patagonia. Também há campings gratuitos, administrados pela CONAF que contam apenas com uma estrutura básica para cozinha e higiene.

Para quem vai à Torres del Paine em busca de tranquilidade e um contato mais calmo com a natureza, também há ótimos hotéis e spa’s de montanha na área fora dos circuitos, como os procurados Explora, Las Torres e Tierra Patagonia que proporcionam uma hospedagem de luxo, aliada a programações que colocam o hóspede em contato intenso com a natureza durante o dia.

Neste artigo eu deixo um verdadeiro guia de hospedagem no parque, que engloba as melhores opções para cada estilo de viajante.

O QUE LEVAR – Definindo um dos principais gargalos dessa aventura em uma única palavra: mochila. Todas as dicas que você precisa para não exagerar no peso da mochila (ela ficará nas suas costas durante boa parte do tempo nos circuitos) e ao mesmo tempo não deixar faltar nada de essencial para a sua travessia estão listadas em detalhes neste artigo, feito com base na nossa experiência dentro do parque. Roupas, equipamentos e alimentação. Tudo bem explicado para evitar qualquer perrengue.

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Uma das grandes preocupações da galera é como manter um estoque de água adequado, sem exagerar no peso da mochila, tendo que andar o dia inteiro sem ver uma bica. Aí vai o trunfo, todos os rios e córregos do parque fornecem água limpa e potável e você não anda uma hora inteira sem topar com uma fonte pra encher a garrafinha. Eu andava com um squeeze o dia inteiro e não rolou stress em hora alguma por sede. Água ultra limpa e disponível.

QUE MOEDA LEVAR – Para uma eventual necessidade, é necessário que você tenha Pesos Chilenos em mãos. Em Puerto Natales há uma casa de câmbio na Rua Manuel Bulnes, próxima ao cruzamento com a Baquedano e bem ao lado de uma loja da Salomon. Porém o ideal é que você faça a troca em Santiago para aproveitar as cotações que são melhores. Na mesma rua há agências do Banco de Chile e do Santander, onde você pode fazer saques em moeda local com o cartão de crédito.

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Dentro dos circuitos, os refúgios até aceitam cartão de crédito, mas como a internet é precária nessa parte do parque, sempre há a chance de que não haja comunicação e as máquinas podem ficar fora do ar. Ou seja, leve dinheiro pois é mais garantido.

ESTICANDO A VIAGEM – Se você chegou por Punta Arenas, uma boa sequência lógica é passar uns 2 dias por lá mesmo, pra conhecer a cidade, fazer umas compras na zona franca e preparar para chegar em Puerto Natales pelo menos na noite anterior à ida pra Torres del Paine. Em Puerto Natales, seja antes ou depois da aventura em Torres del Paine, não vejo razão pra gastar mais que 2 dias inteiros na cidadezinha que, apesar de simpática, não tem lá muitas opções de coisas pra fazer.

Saindo de Puerto Natales, entre num ônibus e siga para El Calafate, cidade que fica há 6 horas de viagem de Puerto Natales (se não fossem as mais de duas horas perdidas só pra atravessar as duas fronteiras, seria tudo bem mais rápido), e é conhecida como “A Terra do Glaciares”. Além de navegações entre geleiras, e dias de aventura nas estâncias locais, você poderá visitar (e até caminhar sobre) o Glaciar Perito Moreno, a geleira mais famosa e procurada por turistas na Patagônia.

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Se as pernas já estiverem descansadas e você estiver afim de mais aventuras no nível hard, siga de El Calafate para a vizinha El Chaltén, que é uma espécie de gêmea argentina de Torres del Paine. Os argentinos chamam a pequena cidade de “A capital nacional do Trekking” e lá o grande protagonista é o Monte Fitz Roy.

Recomendo fortemente voltar para o Brasil ou seguir viagem pelo Aeroporto de El Calafate, pra não ter que voltar tudo até Punta Arenas. Não descarte uma passada em Ushuaia, já que está ali tão perto.

Se você chegou pelo lado Argentino, é só inverter a sequência. E veja que pode ser bem legal, pois você deixará a passada em Punta Arenas para o final e vai poder encher mais a mochila na Zona Franca.

FINALIZANDO…

Só posso te dizer que Torres del Paine vai definir a sua identidade como aventureiro. Só o W já é o suficiente pra separar o aventureiro de final de semana do cara que é realmente casca grossa. Os dias dentro do parque vão te trazer o perfeito conhecimento sobre o que você está disposto a passar para ir mais longe, em terrenos talvez menos amigos que estes, além é claro de mostrar o quanto você está em dia com a paciência e a persistência nas caminhadas mais duras.

Pra mim, foi uma experiência renovadora e que me fez querer ir muito mais longe nessa vida que eu escolhi pra mim. De pé no chão, no meio da natureza e me testando cada vez mais. E algumas lições que eu aprendi no parque, eu tenho carregado até pra outras áreas da vida. Sim, meu caro. Use o contato com a natureza em prol do seu auto-conhecimento.

DICAS EXTRA

Minhas dicas extra são bem simples, e bem voltadas para iniciantes, e vão ajudar ajudar muito a não desistir no meio do caminho quando as coisas estiverem cansativas na sua jornada em Torres del Paine.

A primeira é intensifique (ou comece…rs) os treinos para fortalecer as pernas na academia. Explica lá pro professor que você vai bancar o Mc Gyver da Patagônia e pede pra ele passar uma série pra ganhar força nas pernas. Acredite, ajuda muito.

A segunda é: Crie alguns “eventos teste”. Deixa eu explicar: Sabe aquelas trilhas que são”só subida” e são bem mais perto da sua casa do que Torres del Paine. Então, junte alguns amigos e teste a sua resistência perto de casa algum tempo antes de desbravar a Patagônia. Se você sentir que tá fora de forma, vá mais vezes até se condicionar.

Engenheiro Bioquímico por formação, Carioca por vocação, 30 anos. 11 em cada 10 sonhos seus envolvem nomadismo e lugares pouco convencionais ao redor do mundo. Uma hora ele acaba realizando.