Roteiro: Santiago do Chile

Roteiro: Santiago do Chile

Santiago do Chile é uma das cidades com mais atrativos turísticos da América do Sul e a cada ano que passa atrai mais brasileiros, já que é perto, fica a poucas horas de vôo (Aprox. 4h, saindo de São Paulo) e é uma cidade razoavelmente barata (considerando que eu moro no Rio de Janeiro).

Para aproveitar bem a sua viagem, o ideal é ficar em Santiago pelo menos 3 dias inteiros. Mas para um roteiro bem completo, serão necessários de 6 a 7 dias para explorar os diferentes temas da cidade e suas vizinhanças. Mas até um só dia (para quem desejar aproveitar uma escala em Santiago) pode  ser o bastante para conhecer o centro e tirar uma casquinha de um ou outro ponto que seja mais do seu interesse.

Aqui, a idéia não é você seguir todos o meus passos, mas sim conhecer as possibilidades e encaixar as atrações de acordo com tempo que você tem e o que você gostaria de fazer em Santiago. Por isso, separei os tipos de atrações e montei dias temáticos de um modo que você consiga adaptar à quantidade de tempo que você terá.

No final, há algumas sugestões para você alterar o roteiro e uma lista de opções para seguir viagem partindo de Santiago. Também há uma série de links úteis para começar o básico do planejamento da sua viagem.

CHEGANDO EM SANTIAGO:

Como ir do Aeroporto de Santiago ao Centro

Casas de Câmbio e qual moeda levar para Santiago

Dias 1 e 2 – Explorando o Centro e bairros vizinhos.

O primeiro dia pode ser dedicado a conhecer as atrações mais interessantes da região central sem correria. No “centrão” você encontrará as atrações históricas de Santiago e um ótimo ponto de partida é a Plaza de Armas (Metrô Plaza de Armas – Linha Verde), onde além da praça em si, você pode visitar a lindíssima Catedral Metropolitana de Santiago. Bem próximo dali está o Museo de Arte Precolombina (Bandera, 361 – Entrada: $3.500 – Ter. à Dom. das 10 às 18 hs), que guarda peças de arte de povos que habitavam a América do Sul antes da chegada de Cristóvão Colombo e é um dos museus mais importantes do gênero no nosso continente.

Outro museu bacana pra visitar, caso você queira investir um tempo para conhecer mais a história do povo chileno é o Museu Histórico Nacional do Chile, que fica na própria Plaza de Armas.

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Saindo da Plaza de Armas, entre na Avenida Paseo Ahumada e tenha uma experiência diferente tomando um cafézinho em um dos “Cafés con Piernas”, estabelecimentos tradicionais onde os chilenos curtem o sabor de um bom café, enquanto observam as garçonetes passando de um lado pro outro com vestidos curtos e decotados. Nada de desrespeitoso, tanto que são frequentados até por senhoras de idade e funcionam com mesas no calçadão da rua. Vá sem medo. Recomendo fortemente os cafés Caribe e Haiti.

Seguindo pela Ahumada, é fácil chegar ao Palácio de La Moneda (Metrô La Moneda – Linha Vermelha), a sede do governo Chileno e “palco” de um dos momentos mais críticos da história do país, a derrubada do governo de Salvador Allende por Augusto Pinochet, no episódio do golpe militar de 1973. É possível realizar visitas guiadas, desde que marcadas com antecedência (geralmente, uma semana), mas a principal atração ali é a cerimônia de troca da guarda presidencial, que ocorre a cada dois dias (ver calendário), pontualmente às 10h, em frente ao portão principal, onde também há uma emblemática estátua de Salvador Allende. No subsolo do outro lado do palácio, há o Centro Cultural La Moneda que conta com programação variada.

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Ali por perto, uma boa parada para o almoço é o Mercado Central (Metrô Puente Cal Y Canto – Linha Laranja), aonde os restaurantes tem como carro chefe os frutos do mar, com destaque para a Centolla, um crustáceo gigante que também é conhecido como King Crab. Quem quiser economizar, é só fugir do pátio central e buscar restaurantes menores nos corredores mais escondidos do mercado.

De frente para o Mercado Municipal e em frente à entrada da estação Cal Y Canto está um ponto bem pitoresco de Santiago. Um butecão chamado La Piojera, conhecido e aclamado por vender o drink mais famoso do país, o “terromoto”, uma nada amigável mistura de duas bolas de sorvete de abacaxi, Pipeño (um vinho branco adocicado) e uma dose de Fernet, num “copinho” de 500 mL. Ao final da experiência, o nome se justifica. 🙂

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Saindo do Mercado Municipal, você pode seguir caminhando até o Cerro (morro) Santa Lucía (Metrô Santa Lucía – Linha Vermelha), uma antiga fortaleza onde a cidade de Santiago foi fundada. De lá é possível ter uma visão panorâmica de Santiago e da Cordilheira dos Andes. A entrada é gratuita e o funcionamento é das 9 às 19 hs.

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Retornando à entrada principal do Cerro Santa Lucía e seguindo pela Av. Libertador Bernardo O’Higgins, chegamos ao pequeno Barrio Lastarria, onde a gastronomia e a arte se encontram. Ótimos e variados restaurantes se concentram na Rua (Calle) Lastarria e em suas poucas transversais, fazendo vizinhança com ateliês de artistas e estilistas em ascensão. Às quintas, sextas e sábados rola uma feirinha de antiguidades próxima a entrada do Museo de Artes Visuales, que lembra um pouco a Feira do Rio Antigo, no Rio de Janeiro.

A pedida ali é curtir o fim de tarde provando os sorvetes artesanais do Empório La Rosa, sorveteria eleita uma das 25 melhores do mundo, e descansar um pouco no Parque Forestal, uma imensa área verde com algumas esculturas e uma linda fonte.

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O Segundo dia pode começar pelo Barrio Bellavista (Metrô Baquedano – Linhas Verde e Vermelha), onde você pode começar o dia subindo o Cerro San Cristóbal de funicular, um elevador do tipo plano inclinado que te leva tanto ao Zoológico de Santiago, quanto ao topo do cerro, onde há o mirante mais alto de Santiago, com uma visão bem mais completa de toda a Santiago e das montanhas ao redor da cidade. Também é possível subir caminhando ou de bicicleta, o que vai da sua disponibilidade de tempo e energia.

Descendo o cerro, bem próximo à sua entrada está a Casa Museo La Chascona (Fernando Márquez de La Plata, 0192 – Entrada: $5000 – Ter. a Dom. 10 às 18 hs/19hs no verão), uma das três onde viveu o poeta chileno Pablo Neruda, um expoente cultural do Chile.

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Saindo do Museu, as Ruas Pio 9 e Constitución são repletas de opções para o almoço. Dentro do Patio Bellavista há variadas opções de bares e restaurantes, e eu recomendo fortemente o Mosaicafé. Na Constitución, o restaurante Como Água Para Chocolate é um dos mais queridos pelos brasileiros, que são 80% da clientela do restaurante. A casa é inspirada no filme de mesmo nome e a especialidade é a culinária afrodisíaca.

Quem quiser continuar num roteiro mais cultural, há o Museo Nacional de Bellas Artes e o Museo de Arte Contemporaneo, um do lado do outro e dentro da área do Parque Forestal, que fica ali bem pertinho, do outro lado do Rio Mapocho.

A Santiago contemporânea é revelada pelos bairros Providência, Las Condes e Vitacura, onde prédios novos e modernos ocupam boa parte da paisagem. Além de compor a área mais nobre de Santiago, essa é também o coração financeiro de Santiago e uma das áreas de negócios mais importantes do continente. E muitos Brasileiros vão até lá por um motivo comum: compras!

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Lá estão os principais shoppings da cidade, Parque Arauco, Alto Las Condes e Costanera Center (Para saber a relação das lojas, entre nos sites e clique em “tiendas”). O Costanera Center é o único que tem metrô próximo (Metrô Tobalaba – Linhas Azul e Vermelha) e foi erguido com o intuito de ser o maior shopping da América do Sul, e no topo da torre que compõe a sua arquitetura fica o mais novo mirante de Santiago, a 300 m do chão e com vista panorâmica do skyline da região e bem próximo das montanhas da Cordilheira. Nos três shoppings você encontrará lojas de marcas famosas como H&M, Forever 21 e lojas de departamento locais como a Ripley e a Paris, que vendem roupas de marcas conhecidas como Quicksilver, Rip Curl, O’ Neil, CK e Pepe James a bons preços. Nas proximidades entre o cruzamento das ruas Alonso de Córdova e Nueva Costanera fica o comércio de grifes de luxo.

Um shopping que muitos gostam de visitar é o Mall Sport, um shopping todo só de material esportivo. Além das lojas, dentro do shopping também é possível realizar atividades como escalada indoor, skate, arvorismo e tem até uma piscina que simula ondas para a prática do bodyboarding. Quem se interessa por artesanato pode ir até a feira do Pueblito Los Dominicos (Metrô Los Dominicos – Linha Vermelha), aonde além de roupas e peças que remetem à cultura local, há lojas que vendem jóias feitas com a pedra Lápis Lazuli, que só é encontrada no Chile e no Afeganistão.

A região também possui grandes e belas áreas verdes para relaxar, com destaque para o Parque Araucano, que fica atrás do Shopping Parque Arauco, e também o Parque Bicentenário, às margens do Rio Mapocho.

NOITE EM SANTIAGO – Os principais lugares para quem quer curtir a vida noturna de Santiago são o Barrio Bellavista e a Rua (Calle) Suécia, na Providencia. No Barrio Bellavista há opções para todos os gostos e o Patio Bellavista volta a ser o coringa em termos de opções, já que ali estão concentrados ótimos pubs. Nas ruas Pio 9 e Constitucíon também dá pra garimpar um pub ou um barzinho com música ao vivo. Para quem quer partir para uma boate/danceteria, a Calle Suécia é o ponto mais indicado e seguro, além de também contar com bons pubs e até alguns butecos.

Dia 3 – Dia do Vinho

Eu sou um fã declarado dos vinhos chilenos e se assim como eu, você tem muita curiosidade pelo mundo dos vinhos, em Santiago você terá oportunidades incríveis para visitar vinícolas, participar de degustações guiadas e voltar com a mala cheia (na medida do possível) de vinhos de ótima qualidade.

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A vinícola Concha Y Toro, segunda maior produtora de vinho do mundo, é a mais visitada por turistas e considero que é uma parada obrigatória em Santiago para os loucos por vinho. A vinícola em si é linda, a história do Casillero del Diablo (o vinho mais famoso da casa) é contada de uma forma quase cinematográfica e eu recomendo fortemente que você pague um pouco a mais para fazer a degustação guiada, que faz valer muito o passeio e ainda retorna um bom conhecimento preliminar sobre harmonização.

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Como todo ponto turístico super frequentado, a Concha Y Toro tem lá seus críticos e a principal reclamação é que pouco se aprende sobre o processo de fabricação dos vinhos. Uma crítica absolutamente justa na minha humilde opinião, e para suprir essa lacuna é que sugiro que você faça um dia dedicado às vinícolas complementando com a ida à outras vinícolas da região em que a visita é feita com uma abordagem mais tradicional, como a Cousiño Macul e a Undurraga.

+MAIS: Visite a vinícola Concha Y Toro por conta própria.

+MAIS: Quatro vinícolas especiais para visitar em Santiago do Chile.

DICA: Os melhores lugares para comprar vinhos no Chile são os supermercados, já que as boutiques das vinícolas sobem um pouco os preços para aproveitar a presença dos visitantes.

Cada vinícola visitada vai consumir uma manhã/tarde inteira, contando com o deslocamento e refeições.

Dia 4 – Dia da Neve

Quase impossível não associar Santiago do Chile às suas famosas estações de esqui. A temporada de neve geralmente vai de meados de Junho até o final de Setembro, e o pico (leia-se: preços altos e estações lotadas) ocorre em Julho.

A estação mais procurada da capital é o Ski Resort Valle Nevado, aonde o máximo que dá pra fazer caso você não saiba esquiar é curtir a subida no teleférico e curtir a paisagem das montanhas. Em Farellones há mais opções como tobogã na neve e uma tirolesa. El Colorado (vizinha de Farellones) e La Parva o legal é esquiar mesmo, já que há menos filas e as pistas são menos concorridas e mais baratas que Valle Nevado. Para quem está começando, o ideal é marcar as suas aulas nestas estações.

Valle Nevado Ski Resort

Para chegar até as estações de ski, o ideal é que você contrate o serviço de alguma agência de transfer, já que é muito complicado dirigir nas estradas que ligam Santiago até as montanhas no inverno, tanto pelo risco quanto pelos horários de subida e descida que são controlados para reduzir os congestionamentos.

Em Santiago há serviços de transfer exclusivos para as estações de esqui em vans compartilhadas saindo das agências, que buscam no hotel, no aeroporto e em carros privados. Quanto maior a comodidade, óbvio que aumenta o preço. As agências que prestam estes serviços são a Ski Total, a Snow Tours e a KL Adventure, que além do transporte também alugam os equipamentos de ski e/ou snowboard. Estas três empresas são aconselháveis apenas para quem tem a intenção de esquiar ou participar de aulas de ski/snowboard, já que deixam você o dia inteiro na mesma estação e trazem de volta ao final do dia.

Ski La Parva

Para quem só quer passear pelas estações e ter contato com a neve, o ideal é comprar os passeios do tipo “Dia na Montanha”, que são vendidos por empresas com a Turistik e a Turistour, que passam mais rápido por uma duas estações e retornam à Santiago.

Quem for por conta própria, deve se informar sobre os horários de subida e descida da estrada, e também sobre os procedimentos de segurança ao guiar em regiões de nevasca, como usar correntes nos pneus.

DICA: Em dias úteis as estações ficam mais vazias do que nos finais de semana. Ou seja, menos filas e concorrência pelas pistas. 🙂

Dia 5 – Cajón del Maipo

A região conhecida como Cajón del Maipo é o lugar ideal para quem está em Santiago e quer viver um ou mais dias de aventura aos pés da Cordilheira dos Andes. A trilha que leva até a base do Monumento Natural El Morado e a visita à represa Embalse el Yeso são os pontos mais procurados da região, e geralmente são combinados com um período de relaxamento nas piscinas de águas termais dos vilarejos Baños Morales e Baños Colina. Também há piscinas de águas termais em El Plomo.

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Como a região é cortada por grandes rios e é bem servida de montanhas, você também pode praticar esportes como rafting, canoagem, rapel, escalada, bungee jump e muito mais. Mais informações no site da região.

Veja nesse artigo como foi a nossa aventura no Monumento Natural El Morado, com todas as dicas para visitar a região.

Dias 6 e 7- Viña del Mar e Valparaíso

Distantes aproximadamente 120 Km do Centro de Santiago, estão a “Cidade Jardim” e a “Jóia do Pacífico”, como são conhecidas as litorâneas Viña del Mar e Valparaíso. Apesar de a distância entre as duas ser muito pequena, ir de uma até a outra é como atravessar da água para o vinho, já que a diferença entre elas é gritante.

Nossa principal dica é visitar as duas cidades por conta própria para ter mais liberdade, e se der tempo, se hospedar em uma das duas para dedicar um dia inteiro a cada uma. Veja este artigo com todas as dicas para chegar nas duas cidades e transitar de uma para outra.

Viña del Mar é um balneário com praias lindas e jardins bem cuidados para qualquer lado que você olhe. O que de cara já revela uma das sensações de estar por lá, que é dar pelo menos molhar os pés nas águas do pacífico, que de tão geladas para os padrões das prais brasileiras, não permitem mais que isso. Além das praias, dois símbolos da cidade são o Reloj de Flores (Relógio de Flores), uma marca registrada da cidade, e o Museo Fonck, que conta com um riquíssimo acervo sobre os povos nativos da Ilha de Páscoa e tem uma das estátuas de pedra (Moais) originais da ilha na entrada. Próximos ao Reloj estão o Castillo Wulff, um castelo construído à beira mar em estilo europeu que rende lindas fotos, e o Parque Quinta Vergara, onde é realizado anualmente o famoso Festival da Canção. Há quem curta fazer uma fézinha no Casino Municipal também.

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Já Valparaíso vibra numa frequência completamente diferente. Famosa pelo relevo peculiar, com seus cerros (morros) coloridos pela pintura das casas, “Valpo” é uma cidade portuária com fortíssima vocação histórica e cultural. O Cerro Alegre e o Cerro Concepción são o coração boêmio da cidade, casa de diversos artistas e também as melhores pedidas para comer e se hospedar. A cidade ainda conta com outra das três casas de Pablo Neruda, o Museu La Chascona, e com o interessante Museo Naval y Marítimo, onde se aprende muito sobre a história chilena e também onde fica exposta a cápsula fênix, utilizada para resgatar os mineiros durante o acidente da mina em San José, em 2010.

Hector Garcia

+MAIS: Roteiro de um dia em Valparaíso.

ALTERANDO O ROTEIRO…

Caso você tenha mais dias para curtir a viagem para Santiago ou queira variar as atrações, vamos às possibilidades.

FUTEBOL CHILENO – Santiago abriga dois templos do futebol Sul-Americano, e se você é tão fanático por futebol quanto eu, não pode perder a chance de visitar o Estádio Nacional do Chile, onde a seleção chilena manda os seus jogos, e o Estádio Monumental, casa do Colo Colo, clube mais tradicional e vencedor do Chile, onde há um dos maiores museus dedicados à um clube de futebol nas Américas.

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A visita aos dois estádios toma apenas uma manhã ou tarde inteira e pode ser incluída nas suas atividades pelo Centro ou combinada com uma vinícola em períodos diferentes do dia.

ISLA NEGRA – Além de La Sebastiana, em Valparaíso, e La Chascona, em Santiago, o Poeta Pablo Neruda também viveu em Isla Negra, cidade litorânea localizada a aproximadamente 90 Km de Santiago. Lá ele viveu com Matilde Urrutia, sua última mulher e após a morte, ambos estão sepultados de frente para o mar. Para visitar a casa museu, você pode pegar o ônibus para Isla Negra no Terminal Alameda.

Para quem vai de carro, a ida até Isla Negra, pode ser perfeitamente combinada com uma parada para visita à alguma das vinícolas do Vale de Casablanca, como a Emiliana, que ficam no caminho. Lembrando que o motorista fica de fora da festa. 🙂

Uma boa combinação também é aproveitar o deslocamento da ida ou volta para Viña e Valparaíso, e dar uma fugida até Isla Negra.

SEWELL – Outra opção para quem quer sair um pouco do esquema vinícolas, neve e Neruda é subir os Andes rumo a Sewell, uma cidade abandonada que um dia já foi uma vila operária, construída para abrigar os funcionários de uma mineradora dos anos 20 até meados dos anos 70. Sewell fica a aproximadamente 150 Km de Santiago, encravada a 2000 m de altitude no meio da cordilheira e não é possível fazer a visita por conta própria, já que a mineradora funciona até hoje. Os passeios são realizados pela agência VTS, e ocorrem aos sábados e domingos, durando o dia inteiro. O Gabriel Brito, do blog Gabriel Quer Viajar, conta tudo sobre Sewell neste excelente texto.

MAIS NEVE – Quem quiser dar uma parada pra curtir mais neve e esquiar, no caminho entre Santiago e Mendoza fica Portillo, uma das melhores estações de esqui de todo o Chile, que tem estrutura de dar inveja até a badalada Valle Nevado.

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MAIS VINHO – As vinícolas de Santiago estão localizadas na região conhecida como Valle del Maipo. Mas quem quiser curtir os sabores dos vinhos de outras regiões Chilenas, pode chegar facilmente a outras duas regiões famosas por produzir ótimos vinhos. A mais próxima é o Valle de Casablanca, que se desenvolve à beira da estrada que liga Santiago a Valparaíso e Viña del Mar, sendo uma ótima opção para combinar dois passeios em um só. As vinícolas mais visitadas são a Casas del Bosque e a Emiliana.

A outra região é o Valle de Colchágua, aonde vinícolas luxuosas e premiadas aguardam a sua visita. Esta região fica a aproximadamente 170 Km de Santiago e é acessada pela Rota Panamericana Sur. A principal vinícola da região é a Casa Lapostolle, que produz o Clos Apalta, quem em 2008 foi eleito o melhor vinho do mundo pela Wine Spectator. Ou seja, parada obrigatória!

Seguindo Viagem…

ATACAMA – O deserto de Atacama fica localizado na área mais seca do planeta e viajantes do mundo todo partem para lá em busca de aventura e para desbravar suas paisagens. Para chegar até lá, você pode ir pelo modo rápido (e altamente recomendável para quem não tem tempo de sobra), que é pegando um avião de Santiago até Calama, e de lá pegar um transfer ou ônibus até San Pedro de Atacama, que é a base para explorar a região. O modo demorado é ir de carro pela Ruta Panamericana Norte em uma viagem de 18 horas. Ou seja, a menos que você esteja naquela super road trip pela América do Sul, vai de avião amiguinho. Tempo de viagem é dinheiro.

É necessário dispor de 5 a 7 dias para aproveitar bem a região, já que para alguns passeios é necessário ir com uma agência e alguns não estão disponíveis todos os dias.

PATAGÔNIA – Há vôos partindo do Aeroporto de Santiago direto para Punta Arenas, principal porta de entrada para quem sonha desbravar a Patagônia Chilena e a Antártida. Punta Arenas é a principal cidade desta região e lá você pode se aventurar em navegações pelo Estreito de Magalhães, visitar as Pinguineras ou partir rumo a Ushuaia dentro do Cruzeiro Austral. Também é um ótimo lugar para fazer compras, já que bem próximo ao centro há uma zona franca, onde você poderá comprar diversos tipos de produtos sem impostos.

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Mas o principal motivo pelo qual a maioria das pessoas chega em Punta Arenas, é o fato de a cidade ser o ponto de partida mais próximo do Parque Nacional Torres del Paine, a Mecca da aventura no lado chileno da Patagônia, também eleita a oitava maravilha do mundo. Para chegar até o parque é necessário pegar um ônibus de Punta Arenas até Puerto Natales, e de lá seguir em mais um ônibus para Torres del Paine.

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Se você quiser fazer apenas alguns passeios em Punta Arenas e Puerto Natales, incluindo uma ida rápida à Torres del Paine, planeje uns 4 dias inteiros na região. Para quem vai em busca de realizar os famosos circuitos de trekking em Torres del Paine, deve ficar pelo menos 7 dias por lá.

+SAIBA MAIS: Guia Torres del Paine: Planeje a sua aventura!

Pra quem tiver mais tempo, uma ótima opção é voltar para o Brasil pelo lado Argentino. Na alta temporada, saem ônibus diariamente de Puerto Natales para El Calafate (quando muito, saem uns 4 por dia. Ou seja, compre a passagem pra El Calafate com o máximo de antecedência possível), onde há vôos regulares para o Brasil, passando por Buenos Aires.

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Para quem ainda tiver disposição para mais aventura, El Calafate fica a poucas horas de ônibus de El Chaltén, a capital Argentina do trekking. Já se você preferir descansar, pode fazer passeios por El Calafate e também emendar com Ushuaia, outro bom ponto de retorno para o Brasil.

ILHA DE PÁSCOA – Muitos não sabem, mas a misteriosa ilha no meio do Oceano Pacífico também é um território chileno, e há vôos direto do Aeroporto de Santiago, e a Lan Chile oferece a possibilidade de fazer um stopover na ilha para os passageiros do seu vôo à Papeete (Polinésia Francesa).

PUCÓN – Quem topa se aventurar aos pés de um dos vulcões ainda ativos no planeta? Se você gostou da idéia, então Pucón, que fica aos pés do Vulcão Villarica e à beira do lago de mesmo nome, é o destino perfeito. Não há vôos regulares para o pequeno aeroporto da cidade, então o caminho mais fácil para ir de Santiago para Pucón é combinar um vôo até Temuco com uma esticada de ônibus ou carro até Pucón.

Quem quiser aproveitar mais a viagem, pode cruzar de Pucón para San Martín de Los Andes, na Argentina, e dar até uma esticada em Bariloche antes de retornar ao Brasil.

MENDOZA – O trajeto entre Santiago e Mendoza já vale e muito a viagem, pois você ir cruzar as paisagens da Cordilheira por uma das estradas mais bonitas de toda a América do Sul. A cidade em si é famosa por suas vinícolas, com destaque para a Trapiche e “uma tal de Chandon”, e por ser um destino perfeito para quem curte ecoturismo, com seus lagos e montanhas. Lá está localizado o Monte Aconcágua, o pico mais alto da América do Sul, e mesmo que você não seja um alpinista experiente, chegar perto do gigante pelas trilhas do parque já é certeza de vistas privilegiadas e paisagens impressionantes.

Engenheiro Bioquímico por formação, Carioca por vocação, 30 anos. 11 em cada 10 sonhos seus envolvem nomadismo e lugares pouco convencionais ao redor do mundo. Uma hora ele acaba realizando.