Torres del Paine - O que levar para realizar o Circuito W

Torres del Paine – O que levar para realizar o Circuito W

O que levar na mochila para trekkings mais longos como o circuito W ou o circuito O, no Parque Nacional Torres del Paine, é uma dúvida normal para aventureiros de primeira ou de poucas viagens. Levar uma mochila super pesada e equipamentos inadequados pode complicar e muito a sua aventura.

Na alta temporada, a chance do clima na Patagônia te deixar em apuros é bem pouca, e apesar de toda ventania e alguns períodos chuvosos, tenha em mente que Torres del Paine é um dos parques nacionais com uma das melhores estruturas do mundo e você está longe de estar à caminho de um teste de sobrevivência na selva. Ou seja, tenha amor às suas costas e leve apenas o necessário na mochila. 🙂

Pra facilitar a sua vida, deixo aqui a lista de tudo que eu levei e que foi realmente necessário para cumprir a “Missão Torres del Paine”, acompanhado de algumas dicas.

Roupas

Estamos falando da Patagônia, onde o clima é louco e ventos fortíssimos, o sol e a chuva brincam de se revezar. Em um mesmo dia você pode tanto passar frio, quanto encarar um sol escaldante. O ideal é se preparar para usar 3 camadas de roupas, trocando as peças mais internas de um dia pro outro e repetir o calçado e os impermeáveis em todos os dias de caminhada.

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É mais ou menos assim que você vai ficar – Foto: Arquivo Pessoal

Segue a minha lista:

– 2 jogos de termo skin Quechua, que eu lavava no fim do dia e secava no calor dos quartos dos refúgios, alternando o uso;

– 1 Fleece Quechua;

– Anorak Storm Trilhas e Rumos: Como já disse, o clima na Patagônia é louco, e um bom impermeável é inegociável. De todos que eu pesquisei, esse foi o que tinha a maior impermeabilização e os custo-benefício é ótimo;

– 4 camisas de tecido leve e respirável da Kalenji – Uma para cada dia;

– 1 Calça impermeável Trilhas e Rumos;

– 4 pares de meias próprias para trekking da Quechua – Veja aqui tudo que você precisa saber sobre meias de trekking;

– Gorro Solo;

– Protetor de pescoço;

– 2 toalhas de super absorção Nabaiji – Levei uma grande pro banho e uma pequena de rosto pra usar nas trilhas. Essa toalha seca rápido, é leve e ocupa pouquíssimo espaço;

– 1 Calça para dormir;

– 1 par de botas impermeáveis Bull Terrier: Opte por um modelo com cano mais alto para evitar torções, já que você enfrentará 4 dias caminhando em solo irregular;

– 1 par de chinelos para dar um descanso para os seus pés quando estiver nos refúgios.

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Inseparáveis – Foto: Arquivo Pessoal

+ SAIBA MAIS: Como escolher o calçado certo para trilha.

Equipamentos

– Mochila Cargueira 70 Litros Quechua: Acredito que esse é o tamanho ideal pra restringir o excesso de bagagem e caber todos os equipamentos. Opte por um modelo com barras de alumínio nas costas para proteger a sua coluna;

– Mochilinha de ataque: para evitar levar o peso da cargueira nos trechos “bate-volta” do W;

– Capa de chuva Quechua para cobrir a mochila – aperte bem quando usar, para evitar que ela vire um paraquedas durante as ventanias e você venha a perdê-la;

– 1 par de Bastões de Trekking: Outro grande investimento para uma aventura segura e saudável. Se você ainda tiver alguma dúvida sobre a utilidade dos bastões, recomendo fortemente que você leia este artigo do Jodrian Freitas, do Blog Aventura Mango;

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Melhor investimento – Foto: Arquivo Pessoal

– Cobertor térmico para emergências;

– Garrafa pequena (600 ml) – A água do parque é potável e toda hora tem um rio ou uma queda d’água para você abastecer. Não precisa andar com garrafões pesados;

– Canivete: Não precisa ser aquele Victorinox caríssimo, mas deve ter funções úteis e estar afiado. Algo muito importante é você nem pensar em levar na bagagem de mão durante a viagem de avião. Toda vez que eu lembro da quantidade de canivetes (vários Victorinox caríssimos) que lotavam a urna de cortantes no check-in do aeroporto de Punta Arenas, eu me sinto obrigado a alertar a galera sobre isso;

– Câmera Fotográfica Nikon D3200 + lentes 18-55 mm e 70-300 mm:  Não é toda hora que você vai para um lugar igual Torres del Paine, então vale muito o investimento em um bom material fotográfico para ter os melhores registros da sua aventura. Importantíssimo também é levar uma ou duas baterias extra (dependendo de quantas fotos a bateria da sua câmera te permite tirar com a qualidade habitual), já que as tomadas dentro dos refúgios são escassas e você corre o risco de não conseguir carregar a sua por conta do “congestionamento”;

– Óculos Escuros, protetor solar e protetor labial: A combinação de vento forte e alta incidência de raios UV devido à uma falha na camada de ozônio se localizar sobre a Patagônia, fazem com que seja necessário tomar bastante cuidado em relação à saúde da pele. Em especial em Torres del Paine, o circuito W tem alguns trechos aonde você caminhará por horas sem uma fonte natural de sombra.

Alimentação

Dentro do parque só é possível comprar comida dentro dos abrigos privados, porém o preço não é nada amigo. Por conta disso, optei por comprar comida no supermercado Unimarc (Há um em Punta Arenas e outro em Puerto Natales) e levar na mochila. Essa é mais uma oportunidade para lembrar que você passará 4 dias com a sua mochila nas costas, então nada de exageros na hora de colocar a comida na bagagem.

Lembre-se também que dificilmente você vai querer fazer alguma coisa super bem elaborada depois de um dia inteiro de caminhada e também não é a boa levar nada que dependa de refrigeração para não estragar. Segue uma lista de coisas que você pode levar tranquilamente:

– Pacotes de salame embalados à vácuo

– Queijos duros;

– Barras de chocolate;

– Barras de cereais;

– Castanhas e frutos secos;

– Sardinha ou atum enlatados;

– Sopa ou qualquer outro prato do tipo “misture com água quente e tá pronto”;

– Suco em pó;

– Biscoitos;

– Sachês de café solúvel;

– Leite em pó;

– Achocolatado em pó.

É totalmente recomendável levar o café, o leite em pó e o achocolatado em sacos do tipo zip-loc contendo apenas a quantidade que você irá utilizar no parque, evitando peso-extra e deixando sobrar espaço na mochila. Para os outros alimentos, pense em quantidades razoáveis para que você faça refeições que proporcionem energia para os trajetos ao longo dos 4 dias.

Compra e Aluguel de Equipamentos

Se você esqueceu de comprar algo importante antes da viagem, em Puerto Natales há duas boas lojas de equipamentos esportivos. Uma da Salomon, que oferece calçados e vestuário da própria Salomon e de outras marcas conhecidas, e uma filial da Balfer, loja que vende de tudo que esteja relacionado à aventura e outros esportes. Ambas na Rua Manuel Bulnes, bem próximas ao mercado Unimarc e ao Banco Santander.

Diversos hostels também funcionam como lojas de aluguel de equipamentos. Basta procurar no Google por “Alquiler de Equipo” em Puerto Natales e vão aparecer vários oferecendo o serviço.

Eu optei por alugar o equipamento de cozinha (Panelas, prato e fogareiro) e comprar o mini botijão de gás por lá também, pra não carregar tanta tralha pendurada na cargueira nas outras partes da viagem. Aluguei tudo em um hostel chamado Backpackers Arkya (Rua Arturo Prat, próximo ao cruzamento com a Rua Esmeralda), que cobra a diária do uso do kit cozinha e não me lembro de ter pago muito mais que uns R$ 60 por tudo.

Nos refúgios do parque também é feito o aluguel de equipamentos de cozinha e barracas, mas não espere um preço tão amigo quanto em Puerto Natales.

Dica Extra

Muita gente aproveita a ida à Patagônia para percorrer várias cidades e é comum combinar Torres del Paine com cidades como Punta Arenas. El Calafate e Ushuaia, que possuem passeios mais light e opções para sair à noite. Totalmente normal você querer levar uma roupa mais adequada para essas ocasiões. E para evitar levar esse peso extra para a sua jornada no parque, há um serviço de custódia de bagagem na Rodoviária de Puerto Natales, que cobra 1000 pesos por dia para cuidar da sua bagagem. Alguns hotéis e albergues também oferecem o serviço.

PARA FINALIZAR, deixo a lista de todas as lojas aonde eu compro os meus equipamentos:
Quechua, Kalenji e Nabaiji – Decathlon
Solo e Trilas & Rumos – AS Divers
Bull Terrier – Centauro
Nikon – Site Nikon

Engenheiro Bioquímico por formação, Carioca por vocação, 30 anos. 11 em cada 10 sonhos seus envolvem nomadismo e lugares pouco convencionais ao redor do mundo. Uma hora ele acaba realizando.