Qual moeda levar para a Argentina?

Qual moeda levar para a Argentina?

Nem todo mundo sabe, mas a moeda oficial da Argentina é o Peso. E há alguns anos, devido à intervenções do governo argentino para controlar o livre acesso ao câmbio, a população passou a fazer suas reservas pessoais em moeda estrangeira. Daí então, nasce o câmbio paralelo, também conhecido como câmbio “blue”.

E essa modalidade de câmbio é a mais largamente usada por turistas que chegam à Argentina, já que essa é hoje a única forma de tornar o país acessível aos viajantes. De outra forma, Buenos Aires seria mais cara do que muitas cidades um tanto mais top mundo afora.

Inclusive, em muitas lojas, restaurantes e outros estabelecimentos, você pode pagar em Reais, Dólares e até Euros e receber o troco em Pesos Argentinos, com cotações superiores à oficial. Em geral, o câmbio paralelo paga de 30 a 50% a mais que o oficial. Podendo chegar até acima desse patamar.

DÓLARES OU REAIS? – Eis a questão! Mas que não requer muitos problemas para resolver. Eu sempre sigo a seguinte lógica em países aonde os nossos reais são bem aceitos: Tomando por base o custo de US$ 1 em uma casa de câmbio aqui no Rio de Janeiro que, já acrescido dos 0,38% de IOF, sai à R$ 4,09 (08/09/2015 – vulgo “tempo difícil”), basta fazer a comparação com os valores “blue” no site Paralelo Hoy. Com as cotações de hoje, basta calcular o que compra mais pesos, US$ 1 ou o seu equivalente R$ 4,09. Com essas informações vemos que:

US$ 1 = AR$ 15,39

R$ 4,09 = AR$ 16,36

Ou seja, HOJE há uma pequena vantagem em trocar reais por pesos argentinos direto.

CÂMBIO EM BUENOS AIRES – Agora que você já sabe como trocar o seu dinheiro em Buenos Aires, falta saber aonde fazer o câmbio pelos pesos argentinos. Deixo claro que, fazer câmbio paralelo ou em agências e bancos com cotação oficial é uma escolha sua. Mas caso escolha a oficial, a conta final fará com que você se pergunte se foi à Argentina ou pra Europa. Fora o fato de que se não fosse o mercado paralelo, o turismo na argentina já teria falido, pois o país se tornaria inviável para boa parte dos viajantes.

O câmbio oficial só é uma boa opção se você chega na Argentina sem um Peso no bolso. No Aeroporto de Ezeiza há uma agência do Banco de La Nación que faz câmbio 24 horas, e no Aeroparque o banco funciona das 6 às 24 hs, diariamente. Troque apenas o suficiente para o táxi e um lanche antes de ir para o hotel. Se você não chegou em um dia útil, aceite a sorte e troque o bastante para segurar até o primeiro dia útil e depois troque o restante no paralelo.

Banco de La Nación no Aeroporto de Ezeiza

Banco de La Nación no Aeroporto

O paraíso das agências “blue” é a Rua Florida, no Centro de Buenos Aires, onde a coisa toda rola de uma forma bem escancarada mesmo. Ao ponto de você conseguir contar os momentos em que não escutou a palavra câmbio sendo anunciada à todos os ventos. Na galeria Nº 670 há uma loja de camisetas da Mafalda, onde há ótimas cotações.

Outra boa opção é entrar em contato com a Boston Cash ou a Cambio Belgrano pelo Facebook, que eles fazem a entrega no seu hotel, com excelentes cotações. a Boston Cash é a queridinha dos brasileiros.

Quem atravessa do Uruguai para a Argentina por Colonia do Sacramento, encontra uma cotação muito boa também na Cambio Aspen.

DICAS ESPECIAIS – Dinheiro falso e batedores existem em qualquer lugar, e se for um lugar cheio de turistas então, não há “alvo melhor” para a aplicação desses golpes.

  • Quanto maior o volume trocado, melhor a cotação;
  • Notas com valores altos também melhoram a cotação;
  • Faça a conferência na frente do atendente e verifique se as notas são verdadeiras;
  • Muitas casas de câmbio possuem luz negra, que ajudam a confirmar se a nota é verdadeira ou não. Não havendo, as notas verdadeiras possuem o personagem da nota presente também na marca d’agua;
  • Não troque dinheiro na rua, pois você fica mais vulnerável a golpes e roubos. Ainda que as agências de câmbio paralelo não emitam recibo, a maioria delas sabe que tem um nome a zelar e vivem do negócio. Então fazem um bom serviço para manter a reputação, já que tendo um endereço fixo fica mais fácil para alguém divulgar um serviço mal prestado.
Calle Florida - Buenos Aires

Calle Florida – Buenos Aires

CÂMBIO EM OUTRAS CIDADES – O ideal é perguntar sempre nos hotéis e comércio, aonde o câmbio é mais vantajoso. Em El Calafate, perguntei à atendente da recepção do albergue e ela me indicou uma cotação imbatível (R$1 = 4,00 AR$) na loja Souvenirs Patagônia, dentro da feirinha que fica na altura no número 1015 da Avenida del Libertador. Na rodoviária também há boas cotações. Mendoza e Bariloche também aceitam bem os nossos reais.

Para outras cidades o ideal é levar dólares, que são largamente melhor aceitos do que qualquer outra moeda pelos argentinos.

COMPRAR PESOS ARGENTINOS NO BRASIL – Não é vantagem, já que você recebe menos que a cotação oficial, uma vez que aqui não existe câmbio paralelo de pesos e as casas de câmbio tem que lucrar. Nem é tão difícil de encontrar mas, se for o caso, compre apenas o necessário para as despesas iniciais, como alimentação e transporte do aeroporto até o hotel.

CARTÕES DE CRÉDITO, DÉBITO, PRÉ-PAGO E SAQUES NA ARGENTINA  Desvantajosos ao extremo. No caso da Argentina, anule estas opções. Todas vêm acrescidas dos 6,38% de IOF e são cobradas no câmbio oficial. Em se tratando da Argentina, que possui uma economia inflacionada e louca, a sua fatura pós-viagem corre o risco de chegar desastrosa. Fuja dessas opções ao máximo e só utilize em caso de extrema emergência.

A ESTRATÉGIA RESUMIDA – Câmbio no Brasil e pela cotação oficial na Argentina só para os gastos de chegada no país e mais nada. Cartões de crédito, débito, pré-pago e saques no exterior são suicídios financeiros e só devem ser utilizados em casos de extrema urgência. A melhor opção na Argentina é o câmbio paralelo e se você não estiver em Buenos Aires, Mendoza, Bariloche ou El Calafate, leve dólares para trocar.

+LEIA MAIS: Todos os posts sobre Buenos Aires que já publicamos.

Para finalizar, câmbio é um assunto mais que dinâmico, então caso você tenha descoberto alguma outra super dica e quiser contribuir conosco e com outros viajantes, não deixe de postá-la nos comentários! 🙂

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Engenheiro Bioquímico por formação, Carioca por vocação, 30 anos. 11 em cada 10 sonhos seus envolvem nomadismo e lugares pouco convencionais ao redor do mundo. Uma hora ele acaba realizando.